Professor da Unicamp integra Painel Científico para a Transição Energética Global
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No dia 25 de abril, foi anunciado em Santa Marta (Colômbia), o lançamento do Painel Científico para a Transição Energética Global (SPGET), que tem como objetivo mobilizar e fortalecer a cooperação internacional, e coordenar esforços voltados à neutralidade de carbono, promovendo uma transição energética efetiva e urgente em escala global.
O anúncio, feito pela Ministra do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Irene Vélez Torres, aconteceu durante a “Primeira Conferência sobre a Transição para longe dos Combustíveis Fósseis”, com a presença de representantes de mais de 50 países, e destacou a importância da congregação de diversas comunidades e instituições internacionais na formulação de políticas públicas e ações concretas no avanço à transição energética e real diminuição do uso dos combustíveis fósseis.
O Painel é liderado por renomados cientistas e especialistas internacionais em distintas áreas do conhecimento que atuarão como co-chairs do SPGET, como o Professor da Unicamp Gilberto De Martino Jannuzzi, que esteve no evento, Vera Songwe (Camarões) e Ottmar Edenhofer (Alemanha). A formação inclui ainda um Comitê Diretor (os 3 co-Chairs), um Secretariado, um Grupo Consultivo e quatro Grupos de Trabalhos (WG) que tratarão dos seguintes temas específicos: Caminhos de Descarbonização, Soluções Tecnológicas, Avaliação e Design de Políticas e Mercados Financeiros e Governança.
São mais de 50 países envolvidos e comprometidos com a implementação das ações de descarbonização e construção de roteiros práticos para a transição dos combustíveis fósseis. Com um prazo de cinco anos o SPGET será sediado no Brasil, na Universidade de São Paulo.
“A ideia dessa iniciativa surgiu na COP 30, em Belém, com a criação do “Mapa do Caminho” ou roadmaps, liderada pelo Brasil, que sugere esforços e ações para a diminuição do uso dos combustíveis fósseis e que encontrou, obviamente, uma grande resistência dos países produtores de petróleo, não sendo, portanto, incluídas nas decisões da COP30. Agora, o próximo passo é estruturar operacionalmente o SPGET para que possa auxiliar e orientar os governos interessados em como seguir esse mapa do caminho com o apoio de instituições, sejam governamentais ou privadas, que buscam a descarbonização de suas economias e estejam comprometidos com a urgência de medidas práticas, explica o Professor Gilberto Jannuzzi.
Entre as atividades do Painel
está reunir informações científicas e gerar novas referências para garantir a retomada da meta inicial da temperatura em 1,5°C. De forma prática, o grupo de pesquisadores lançará continuamente resumos executivos com as principais análises e referências científicas, roteiros com indicações de ações concretas e encontros presenciais para auxiliar na integração e implementação.
A Conferência de Santa Marta representa a união de esforços para além das discussões e eventos sobre o clima, pois mostra caminhos reais para a desaceleração das mudanças climáticas. Por isso, a “Segunda Conferência sobre a Transição para longe dos Combustíveis Fósseis” já foi oficialmente marcada. Será em 2027, em Tuvalu (Polinésia), e terá como país copresidente a Irlanda. A escolha do local é estratégica, pois o pequeno país-arquipélago, formado por um conjunto de nove ilhas, é conhecido como um dos menores e menos visitado do mundo, mas com grande e grave ameaça climática, correndo o risco de desaparecer com o aumento do nível dos oceanos.
A COP 30, realizada em novembro de 2025, em Belém (PA), foi marcada por importantes decisões que culminaram no documento chamado “Pacote de Belém” que reúne 56 disposições, como o reconhecimento dos povos indígenas, considerado um marco e grande conquista, e alguns avanços em financiamento climático, adaptação e mitigação, por exemplo. Porém, o documento, em sua versão final, pouco falou sobre ações para a diminuição do uso dos combustíveis fósseis, frustrando diversas nações que esperavam ações concretas para uma transição energética de fato viável.
Assim, um plano estratégico global de ação climática chamado “Mapa do Caminho”, liderado pelo Brasil, ganhou força e o apoio de 82 países ao final da COP, pois traz estratégias claras e definidas de como e quando abandonar o uso dos combustíveis fósseis.
Esse apoio culminou na união dos esforços dessas nações e o agendamento da “Primeira Conferência sobre a Transição para longe dos Combustíveis Fósseis”, conduzida pela Colômbia e Holanda, para abril de 2026, em Santa Marta, Colômbia.